21 agosto 2010

Self Service - uma fatia de mim mesma.

Minha reação foi emudecer. Sim, eu percebi que ele fez de propósito. Vingança. O ser humano pode ser bem maquiavélico às vezes.
Não pude ir muito além dos olhos arregalados ou da boca aberta. Eu poderia ter gritado, brigado, chorado, esperneado, procurado culpados... eram muitas as possibilidades, mas nenhuma delas mudaria o que acontecera até ali. Percebi no meu silêncio um misto de surpresa, medo e confusão. E entendi que silenciei tentando a concentração pela busca para alguma resolução. Precisava sair dali, escapar de alguma maneira daquela situação, mas a busca virou espera e a espera te torna inérte, boba, pateta, parada... te torna muda. Será que você me entende? (...)  não, né? é, eu sei... você não entende nada além de computador, tecnologia, iphone, ipad e todas essas bobagens high techs que andam inventando. Mas o que eu senti ali era real, era carne, era osso, era minha mão ardendo feito fogo na pele, feito tiro à queima-roupa.
Olhei em volta e entendi que choro nenhum valia, já que não me aliviaria. Então, apenas o cutuquei, suave e gentilmente, e pedi que abrisse o porta-malas. O roxo já estava tomando conta por completo de minha mão direita, esmagada feito carne de açougue por entre a lataria daquele uno amarelo. A mão rasgada, latejando de dor, sangrando, e tudo o que realmente não me sai da cabeça, é o sorriso dele ao ver um pedaço meu dependendo de sua boa vontade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como sempre meus textos favoritos!!
Te amo tchuchuquinha.