21 agosto 2010

Self Service - uma fatia de mim mesma.

Minha reação foi emudecer. Sim, eu percebi que ele fez de propósito. Vingança. O ser humano pode ser bem maquiavélico às vezes.
Não pude ir muito além dos olhos arregalados ou da boca aberta. Eu poderia ter gritado, brigado, chorado, esperneado, procurado culpados... eram muitas as possibilidades, mas nenhuma delas mudaria o que acontecera até ali. Percebi no meu silêncio um misto de surpresa, medo e confusão. E entendi que silenciei tentando a concentração pela busca para alguma resolução. Precisava sair dali, escapar de alguma maneira daquela situação, mas a busca virou espera e a espera te torna inérte, boba, pateta, parada... te torna muda. Será que você me entende? (...)  não, né? é, eu sei... você não entende nada além de computador, tecnologia, iphone, ipad e todas essas bobagens high techs que andam inventando. Mas o que eu senti ali era real, era carne, era osso, era minha mão ardendo feito fogo na pele, feito tiro à queima-roupa.
Olhei em volta e entendi que choro nenhum valia, já que não me aliviaria. Então, apenas o cutuquei, suave e gentilmente, e pedi que abrisse o porta-malas. O roxo já estava tomando conta por completo de minha mão direita, esmagada feito carne de açougue por entre a lataria daquele uno amarelo. A mão rasgada, latejando de dor, sangrando, e tudo o que realmente não me sai da cabeça, é o sorriso dele ao ver um pedaço meu dependendo de sua boa vontade.

07 agosto 2010

mutantes

Quando a vida vem feito mãe zangada e puxa a orelha da gente.
Vem feito aquela amiga que há tempos você não vê, não liga, e te diz: "ei, eu mereço um pouquinho mais de dedicação, vai?"
A parte boa é que também vem feito o vento, e leva tudo o que não estiver devidamente bem enraizado, leva tudo o que estiver na superfície. e você deixa. Simplesmente deixa levar, deixa ir... voar.
Sim, porque a vida vem e faz isso com a gente. Ela ensina. E se você não aprende, meu caro... ah, se você não aprende... ela te puxa a orelha de um jeito que vai realmente doer.

Desde muito cedo aprendi que uma pessoa é o que ela faz. Cresci um pouco e conheci um carinha aí chamado Eduardo Galeano, que dizia assim: "Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar aquilo que somos."

É. Esse rapaz sabia mesmo das coisas...