30 março 2010

Alice feelings...

No papel mora o repouso. Passam os dias, os meses, as vidas, a gente... e ele não passa.
Permanece lá, em pausa. Repouso de pensamentos, inúmeros sentimentos.

A palavra também repousa. Nele, ela pousa, faz moradia naquelas linhas tão minhas e depois voa... vai encontrar em outro olhar uma nova maneira de existir.
E pousa a ponta do lápis e pousa também o olhar, muitas vezes perdido, na busca por um encontro fadado ao desencontro. Papel, espelho que não é, torna-se poço. E eu, Alice, observando e absorvendo a paisagem, curtindo a viagem. Guarda-louças, estantes, mapas, geléias... hummm! Muitas geléias que eu, sabida que sou, saboreio deliciosamente e com as quais tantas vezes me lambuzo nesse jogo perigoso. Meu doce desespero.

"E lá se foi Alice, correndo atrás do coelho, sem jamais considerar como faria depois para sair dali."

E lá se vai ela, correndo atrás do coelho, atrás de palavras voadoras, olhares invisíveis e momentos de cristal... vai brincando de viver num mundo que não é brincadeira, e adormece pensando na frase da duquesa: "Pássaros da mesma cor voam todos para onde um for."