Lantejoulas, plumas, paetês, purpurinas.
A máscara de cor dourada lhe caia muito bem, evidenciava o contorno dos olhos e o ar misterioso do olhar.
Já passava das 3h da matina e Marcelo transitava com seus músculos por entre a multidão, exibindo sua faceta cor de ouro. Melindrosas, Arlequins, Colombinas. O rapaz caminhava com passos firmes e corpo ereto. Não dançava porém. O whisky estava caro e o rebolado ficaria mais uma noite sem gingado.
O relógio agora marcava 5h da manhã, a qualquer momento a carruagem viraria abóbora. A cinderela então correu e conseguiu pegar o ônibus das 5h30. Chegou em casa e entristeceu-se não sabe o por quê. A lágrima escorreu, tristeza que a máscara escondeu.
Por conta do cansaço (foi assim que pareceu), Marcelo não tirou a fantasia. Dormiu a bela adormecida, com seus sapatinhos de cristal, feito jóia rara. Feito ouro 24 quilates: tão precioso e tão frágil.

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