14 dezembro 2010

é o que tem pra hoje!

A poção mágica vem perdendo  o brilho ao longo dos últimos tempos. E quando poção mágica perde o brilho, vira pó, vira quase nada. 
A menina na janela vê o tempo passar, assiste ao movimento dessa poeira toda levantar e repara nas paisagens e temperaturas mudando depressa. Após muitos pensamentos, ela conclui que talvez esteja num trem e resolve segurar firme no banco para não se desequilibrar.  Essa velocidade, esse pó todo a levantar... No começo o olho até arde um pouco, mas ela logo se acostuma ao embaçado e começa a enxergar além. Além das linhas, além do trilho, além do trem e daquele tumulto.
Montanhas, matas, mares e desertos brigam por um espaço na pequena janela. É tudo realmente muito rápido e seu estômago começa a embrulhar. Ela deseja que chegue logo para poder descansar e... chegue logo onde? De fato a moça lembra de ter comprado uma passagem, mas, confusão, não recorda o destino. Pergunta ao vizinho de poltrona, que a olha com estranhamento. Talvez ele seja um turista. Talvez não fale a mesma língua que ela.
Busca por funcionários... nada! Consegue ver apenas o tal vizinho, segurando um livro azul com listras vermelhas. Demora à compreender a frase estampada na capa, mas finalmente consegue: “10 passos para alcançar a Felicidade.” É, ele definitivamente não fala a língua dela.
Procura em volta, a fim de reconhecer um olhar disposto a responder suas perguntas, estejam eles sendo pagos para isso ou não... mais uma vez, nada! Lamenta muito e percebe que para descobrir, lhe resta tentar entender a língua do figura ao lado. 

Ela pensa então, que talvez possa aprender a se comunicar com ele. Se esforçando um pouquinho, acha até que poderia gostar. Respira fundo, engole suas dúvidas mais profundas, abre seu sorriso mais bonito e segue de encontro ao desconhecido.

01 dezembro 2010

ternura perdida

Carlos a viu saindo do prédio e tratou de acelerar o passo. Estela é uma moça exuberante, loira, do tipo que a cada passo desperta um novo olhar, sempre regado de desejos e sensações, é uma daquelas mulheres com disposição suficiente para equilibrar-se o dia todo em seu belíssimo Manolo Blahnik salto 15. 
Carlos atravessou a rua, se aproximou e jogou ao vento algo sobre o sentido da vida. A moça sorriu, dando o haval esperado para que ele divagasse mais ainda. Livros, filmes, uma frase-feita aqui, outra ali... pronto! ele conseguira um efeito bacana com seu papo "Mãmãe me ensinou direitinho". Estela, que não era familiarizada à esses temas, achou intrigante as linhas que ouvia vindas da boca daquele moreno. Que, por sua vez, fazia o dever de casa direitinho. Ele sabia se expor, falava de si mesmo de uma maneira devidamente bem pintada e florida, claro, para que sua vida parecesse mais interessante do realmente era. Como num "movimento Felliniano”, o rapaz criou belas histórias, convidando suas próprias memórias a interagir com a moça, pelo simples prazer de narrá-las em seu próprio palco... digo, sua(s) própria(s) vida(s). E que histórias... eram tantas e contadas de uma maneira tão envolvente, que ela nem se importava mais em saber se eram reais.

Estela, encantada, não pôde interrempê-lo. O rapaz tinha no olhar uma intensidade e de certa maneira também uma dor, que juntas, transformavam-se em belas palavras. E belas e bem colocadas palavras, transformam qualquer loucura dita, na mais bela frase de um recente Best-seller qualquer.

E então, após poucos desvios entre Carlos, carros, motos e o prédio de Estela, a moça se viu totalmente envolvida com aquilo que era tão difícil de encontrar hoje em dia: um pouco de ternura masculiana; tão sutil e tão forte. Carlos se expunha sem medo de parecer frágil ou sensível demais, ele não tinha o que temer, pois havia ali uma masculinidade tão bem resolvida que ele podia, enfim, se abrir e dividir seus pensamentos e sentimentos.

O tempo passara rápido demais, já eram 2 horas da manhã quando Estela olhou no espelho, e se enxergou Sylvia Rank. Ao lado, estava seu Marcello Rubini, num lugar onde a água era tão transparente que não parecia real. A bela loira refletida no espelho emudeceu, e indagou se aquilo era mesmo a realidade, e se fosse, será que acabaria um dia? Foi então quando ouviu Carlos apenas pontuando o momento: “*Não há nenhum fim. Não há nenhum começo. Há somente a paixão da vida” (*Federico Fellini)

Danado! O rapaz realmente tinha o dom para decorar boas frases. 
e encantar belas mulheres.

02 novembro 2010

tempos modernos

Toda ação feita repetidamente por um tempo prolongado vira automática. E então acho que eu entendo porque às vezes a vida judia da gente. Ela dificulta quando percebe que a brincadeira está fácil demais, quando percebe que precisamos desligar um pouco do piloto automático para ficarmos mais atentos ao trabalho que está sendo realizado. Se torna necessário, então, parar tudo - eu disse T.U.D.O. - e sairmos para fora da gente... sabe como?

É exatamente nesse momento mais difícil, quando assumimos o comando na opção manual, que alcançamos uma maior clareza e entendemos o quanto é necessário olhar em volta com calma, refletir, reavaliar as condições que nos foram apresentadas, enxergar as pessoas que ainda nos acompanham, entender suas posições e, com carinho, tentar compreender suas sugestões. É neste momento que entendemos o quanto é importante ouvir todas as versões dos “aqui de dentro” e aprendemos a aceitar, de olhos bem abertos, os prós e contras das nossas escolhas, para conseguirmos trabalhar apenas com o que temos de fato, mas da melhor maneira possível. 
E aí... 
Puts! aí é MUITO foda... porque a gente aprende pra car@L%#! 
E cresce.

05 outubro 2010

beleza do parecer.

Momento fala que eu te escuto.

Ontem, enquanto assistia à infelicidade alheia naquele programa, “a fazenda”, eu tentava entender o quanto deve ser difícil ver o tempo levar o que você julgou ter de mais importante e enalteceu durante toda uma vida: a aparência. A aceitação do tempo varia de maneira proporcional exatamente oposta à valorização da estética física. Deve ser mesmo muito triste se deparar todo dia com a decadência de algo que você sempre deu tanta importância. E depois, o que te sobra?
Em tempos de Drs. Hollywoods a cada esquina, é preciso estarmos atentos ao que devemos dar importância e não deixar a roda da vida te sugar pra dentro do redemoinho cruel da estética, que bate à sua porta todo dia.

21 agosto 2010

Self Service - uma fatia de mim mesma.

Minha reação foi emudecer. Sim, eu percebi que ele fez de propósito. Vingança. O ser humano pode ser bem maquiavélico às vezes.
Não pude ir muito além dos olhos arregalados ou da boca aberta. Eu poderia ter gritado, brigado, chorado, esperneado, procurado culpados... eram muitas as possibilidades, mas nenhuma delas mudaria o que acontecera até ali. Percebi no meu silêncio um misto de surpresa, medo e confusão. E entendi que silenciei tentando a concentração pela busca para alguma resolução. Precisava sair dali, escapar de alguma maneira daquela situação, mas a busca virou espera e a espera te torna inérte, boba, pateta, parada... te torna muda. Será que você me entende? (...)  não, né? é, eu sei... você não entende nada além de computador, tecnologia, iphone, ipad e todas essas bobagens high techs que andam inventando. Mas o que eu senti ali era real, era carne, era osso, era minha mão ardendo feito fogo na pele, feito tiro à queima-roupa.
Olhei em volta e entendi que choro nenhum valia, já que não me aliviaria. Então, apenas o cutuquei, suave e gentilmente, e pedi que abrisse o porta-malas. O roxo já estava tomando conta por completo de minha mão direita, esmagada feito carne de açougue por entre a lataria daquele uno amarelo. A mão rasgada, latejando de dor, sangrando, e tudo o que realmente não me sai da cabeça, é o sorriso dele ao ver um pedaço meu dependendo de sua boa vontade.

07 agosto 2010

mutantes

Quando a vida vem feito mãe zangada e puxa a orelha da gente.
Vem feito aquela amiga que há tempos você não vê, não liga, e te diz: "ei, eu mereço um pouquinho mais de dedicação, vai?"
A parte boa é que também vem feito o vento, e leva tudo o que não estiver devidamente bem enraizado, leva tudo o que estiver na superfície. e você deixa. Simplesmente deixa levar, deixa ir... voar.
Sim, porque a vida vem e faz isso com a gente. Ela ensina. E se você não aprende, meu caro... ah, se você não aprende... ela te puxa a orelha de um jeito que vai realmente doer.

Desde muito cedo aprendi que uma pessoa é o que ela faz. Cresci um pouco e conheci um carinha aí chamado Eduardo Galeano, que dizia assim: "Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar aquilo que somos."

É. Esse rapaz sabia mesmo das coisas...

02 julho 2010

psiu

Sabedoria que por diversas vezes me falta, me escapa... 
Sim, eu sei, mas esforço não me falta. 
Mais do que desculpas, o recomeço é a maior prova de respeito.

te alcança esse meu segredo? 
um desespero disfarçado de doce galanteio.

28 abril 2010

das coisas que ainda não te contei

Sou uma pessoa bem egoísta. Tenho vergonha, mas assumo. Disfarço bem, uma gorjeta aqui, um como vai você ali, mas no fundo, sou bem egoísta. Antes vem eu, depois vêm os meus, e depois, bem depois, penso em começar a pensar em você e nos seus.
Também sou bem egocêntrica. Pense bem, que tipo de pessoa cria um blog para falar de seus próprios pensamentos e sentimentos? Patético! Pior mesmo, só se eu escrevesse um livro auto-biográfico.
Ansiosa. Sou muito ansiosa! Do tipo que durante o café da manhã já está pensando no que fará de noite. Do tipo que yoga ou meditação nenhuma daria jeito. 
Também sofro de um problema muito grave, ao qual nomeei de SMCIA (Síndrome da Massa Cefálica Inflamada Aguda). Penso, reflito, cogito, questiono, pondero, penso de novo... tudo isso pra não ter tempo hábil de agir e resolver as coisas na prática.
Em decorrência da ansiedade e da SMCIA, às vezes, também sofro de insônia. ahh, e faço sofrer de insônia. Sim, claro, porque não basta dormir junto, tem que participar de tudo.

Fora isso, até que sou legalzinha. Mas só com quem também é legal comigo.
Já falei que sou egoísta?

E aí, você ainda quer ser meu amigo?

30 março 2010

Alice feelings...

No papel mora o repouso. Passam os dias, os meses, as vidas, a gente... e ele não passa.
Permanece lá, em pausa. Repouso de pensamentos, inúmeros sentimentos.

A palavra também repousa. Nele, ela pousa, faz moradia naquelas linhas tão minhas e depois voa... vai encontrar em outro olhar uma nova maneira de existir.
E pousa a ponta do lápis e pousa também o olhar, muitas vezes perdido, na busca por um encontro fadado ao desencontro. Papel, espelho que não é, torna-se poço. E eu, Alice, observando e absorvendo a paisagem, curtindo a viagem. Guarda-louças, estantes, mapas, geléias... hummm! Muitas geléias que eu, sabida que sou, saboreio deliciosamente e com as quais tantas vezes me lambuzo nesse jogo perigoso. Meu doce desespero.

"E lá se foi Alice, correndo atrás do coelho, sem jamais considerar como faria depois para sair dali."

E lá se vai ela, correndo atrás do coelho, atrás de palavras voadoras, olhares invisíveis e momentos de cristal... vai brincando de viver num mundo que não é brincadeira, e adormece pensando na frase da duquesa: "Pássaros da mesma cor voam todos para onde um for."

10 fevereiro 2010

Marcelo 24 quilates

Lantejoulas, plumas, paetês, purpurinas.
A máscara de cor dourada lhe caia muito bem, evidenciava o contorno dos olhos e o ar misterioso do olhar.
Já passava das 3h da matina e Marcelo transitava com seus músculos por entre a multidão, exibindo sua faceta cor de ouro. Melindrosas, Arlequins, Colombinas. O rapaz caminhava com passos firmes e corpo ereto. Não dançava porém. O whisky estava caro e o rebolado ficaria mais uma noite sem gingado.
O relógio agora marcava 5h da manhã, a qualquer momento a carruagem viraria abóbora. A cinderela então correu e conseguiu pegar o ônibus das 5h30. Chegou em casa e entristeceu-se não sabe o por quê. A lágrima escorreu, tristeza que a máscara escondeu.
Por conta do cansaço (foi assim que pareceu), Marcelo não tirou a fantasia. Dormiu a bela adormecida, com seus sapatinhos de cristal, feito jóia rara. Feito ouro 24 quilates: tão precioso e tão frágil.

14 janeiro 2010

verborragia crônica

Tem gente que acha que sempre tem que achar alguma coisa. Gente que raramente escuta de verdade o argumento do outro, já que entende apenas a língua do seu próprio planeta. Que acredita que expor opinião o tempo todo é sinal de personalidade.
Ai, que gastura!
Eu tenho aprendido a escutar mais e falar menos. Tenho aprendido a refletir e achar tudo o que eu quiser sim, mas falar apenas quando me couber e, nem por isso, me omitir. Tenho exercitado deixar meu braço quieto, sem levantar a bandeira do meu ego. e a expor minha opinião quando houver a real intenção de uma discussão.
Até lá eu fico aqui, na boa, só olhando e tomando minha caipirinha de frutas vermelhas.