Como todos os outros dias, Fernanda acordou, escovou os dentes, tirou a roupa lenta e calmamente, se olhou no espelho por longos 10 minutos e entrou no banho. Então fechou os olhos e parada debaixo do chuveiro, sem mover um dedo sequer, ela sentia a água batendo em sua cabeça, escorrendo suavemente, deslizando pelo seu corpo até encontrar seus pés.
Fernanda sempre observava a trajetória da água pelo seu corpo, mas nesse dia movimentava e levantava os braços de uma maneira diferente, na tentativa de fazer as gotas escorrerem por outros caminhos, feito o que tentava ela na vida. A menina tinha essa mania, usava tudo o que lhe parasse em frente para refletir sobre sua vida, seus caminhos.
No dia anterior um amigo havia lhe sugerido que parasse de refletir tanto, disse que essa mania podia fazer as gotas secarem mais, e mais depressa. Mas se fosse deixar de fazer, Fernanda não seria. e ela era. Era a própria reflexão, sempre com alguma questão, um eterno ponto de interrogação.
Bateram na porta e Fernanda chacoalhou a cabeça, ufa! Percebeu que estava no banho havia 20 minutos e lhe ocorreu que isso era muito pro meio ambiente. Mas era tão pouco para Fernanda.
Ela fechou o chuveiro, e parada, fitou seus pés molhados, observou o quanto estavam encharcados, e ela nem sabia mais do quê. Lágrimas dissolviam-se em água? no tempo? no mesmo? Chacoalhou a cabeça de novo! Pegou a toalha e se secou rapidamente, o tempo havia passado e ela tinha de ir trabalhar.

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