Cruel esse momento da despedida. Ter de vivê-lo é sempre muito duro e na maioria dos casos traz água aos olhos. Aeroportos, estações rodoviárias, leitos de hospitais... enchentes por todos os lados. Enchentes de lembranças que ecoam na memória como que dizendo: Sim, vá, mas fique comigo aqui dentro. Fique e não deixe o Tempo apagar você do meu pensamento.
O Tempo.
senhor soberano
A cabeça se esforça para não esquecer dos traços, do tom da voz, da sensação ao toque, mas vem o Tempo e brinca de ser borracha. E nós? Bem, nós nada podemos contra isso.
A cabeça se esforça para não esquecer dos traços, do tom da voz, da sensação ao toque, mas vem o Tempo e brinca de ser borracha. E nós? Bem, nós nada podemos contra isso.
Sabe, vou pegar minha câmera e gravar este instante. Quero ter trilhões de frames do seu olhar e da sua boca sorrindo assim, desse jeitinho, dizendo que o Tempo não é páreo para nós dois. Tão lindo e inocente pronunciando essa frase que até me faz acreditar. Mesmo assim vou pegar minha câmera, quero gravar isso tudo num lugar que não apenas o meu olhar. Um backup, entende? Que é pra com o Tempo a gente não vacilar.
Sim, vá, mas fique comigo aqui dentro. e leve contigo esse meu olhar.
