Levando em consideração alguns pedidos e a falta de tempo (ou criatividade) que me consome, publico hoje um antigo texto. O jogo é o seguinte: Você adivinha quem sou, onde estou e a quem envio essas palavras. Voilá!
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Escrevo porque você não me deixou outra alternativa. Não nos vemos há tempos e ainda assim, todo dia, acordo e me ponho a esperar ansiosa por uma visita sua. Uma carta, uma notícia, qualquer coisa. Espero, espero... o dia todo. A Betina Botijão diz que eu deveria te esquecer, que você já tem outra, que eu fui o seu passado, apenas. Ela está certa? É que você está tão aqui, no meu presente, que fica difícil entender isso. Mas eu tentaria, se você me pedisse.
Outro dia acordei e estava lambendo a minha cela. A cela pela qual tantas vezes você entrou, anunciando a brisa gostosa que viria acariciar meu rosto, e por onde um dia saiu, pra nunca mais voltar. O gosto era doce.
É que talvez eu goste de migalhas, das tuas migalhas. Talvez eu rasteje demais tentando encontrá-las, que é pra sentir o que sobrou de você por aqui, perto de mim. Ou o que sobrou de nós. O que sobrou de nós? A tatuagem que fizemos juntas está desbotando, estou com medo dela sumir.
Sabe, o problema é a ausência de notícias suas, a ausência das palavras, aquelas palavras que tanto me acalmavam.
Sabe, o problema é a ausência de notícias suas, a ausência das palavras, aquelas palavras que tanto me acalmavam.
Aqui está cada dia mais frio, mais feio. O banho de sol cada dia mais cinzento, e a comida cada dia mais sem gosto.
Espero que você esteja bem, que tenha sido bom pra você sair daqui. Espero que você tenha enfim, encontrado a paz que tanto buscava. e que eu não tenha sido um empecilho para você encontrá-la.
A carcereira que entrou no seu lugar não é das mais amáveis. Não pra mim, pelo menos.
Pra mim, será sempre você. Apenas você.
Pra mim, será sempre você. Apenas você.

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