11 dezembro 2009

Fernanda parada.

Como todos os outros dias, Fernanda acordou, escovou os dentes, tirou a roupa lenta e calmamente, se olhou no espelho por longos 10 minutos e entrou no banho. Então fechou os olhos e parada debaixo do chuveiro, sem mover um dedo sequer, ela sentia a água batendo em sua cabeça, escorrendo suavemente, deslizando pelo seu corpo até encontrar seus pés.
Fernanda sempre observava a trajetória da água pelo seu corpo, mas nesse dia movimentava e levantava os braços de uma maneira diferente, na tentativa de fazer as gotas escorrerem por outros caminhos, feito o que tentava ela na vida. A menina tinha essa mania, usava tudo o que lhe parasse em frente para refletir sobre sua vida, seus caminhos.
No dia anterior um amigo havia lhe sugerido que parasse de refletir tanto, disse que essa mania podia fazer as gotas secarem mais, e mais depressa. Mas se fosse deixar de fazer, Fernanda não seria. e ela era. Era a própria reflexão, sempre com alguma questão, um eterno ponto de interrogação.
Bateram na porta e Fernanda chacoalhou a cabeça, ufa! Percebeu que estava no banho havia 20 minutos e lhe ocorreu que isso era muito pro meio ambiente. Mas era tão pouco para Fernanda.
Ela fechou o chuveiro, e parada, fitou seus pés molhados, observou o quanto estavam encharcados, e ela nem sabia mais do quê. Lágrimas dissolviam-se em água? no tempo? no mesmo? Chacoalhou a cabeça de novo! Pegou a toalha e se secou rapidamente, o tempo havia passado e ela tinha de ir trabalhar.


24 novembro 2009

Sala de espera

Reencontro sem o encontro
Reboco sem cal, sem tinta
Uma saudade partida
Um vácuo de tempo que transforma tudo em despedida
Um laço desfeito
Um embaraço dos mais estreitos 
e eu
que nem sei mais do seu jeito.

Relações mal resolvidas são como revistas antigas: Sempre terminam acumulando pó numa sala de espera qualquer.

29 outubro 2009

backup de sentimentos

Cruel esse momento da despedida. Ter de vivê-lo é sempre muito duro e na maioria dos casos traz água aos olhos. Aeroportos, estações rodoviárias, leitos de hospitais... enchentes por todos os lados. Enchentes de lembranças que ecoam na memória como que dizendo: Sim, vá, mas fique comigo aqui dentro. Fique e não deixe o Tempo apagar você do meu pensamento.

O Tempo.
senhor soberano

A cabeça se esforça para não esquecer dos traços, do tom da voz, da sensação ao toque, mas vem o Tempo e brinca de ser borracha. E nós? Bem, nós nada podemos contra isso.
Sabe, vou pegar minha câmera e gravar este instante. Quero ter trilhões de frames do seu olhar e da sua boca sorrindo assim, desse jeitinho, dizendo que o Tempo não é páreo para nós dois. Tão lindo e inocente pronunciando essa frase que até me faz acreditar. Mesmo assim vou pegar minha câmera, quero gravar isso tudo num lugar que não apenas o meu olhar. Um backup, entende? Que é pra com o Tempo a gente não vacilar.

Sim, vá, mas fique comigo aqui dentro. e leve contigo esse meu olhar.

17 outubro 2009

Vem você

Acho engraçado

de todas as improbabilidades que já me aconteceram e coisas impossíveis que passaram por mim
vem você
linhas intrigantes, sorrisos constantes

acho engraçado
e quero ser criança de novo. rolar na grama, brincar na balança
quero encontrar estrela cadente e me perder nesse olhar
tão envolvente...

vem você
assim, sem avisar
me tira do prumo, do eixo, do rumo
me tira desse mundo e me leva a outro lugar

acho engraçado
como o improvável pode deixar esse gostinho de mel na boca da gente
ou o quanto pedaços podem ser tão envolventes
e me resta apenas sorrir e deixar o vento bater no rosto
sentir essa brisa delicinha e esperar o verão pra aquecer o corpo

e nem é tudo
e é tanto
que acho engraçado.

13 outubro 2009

c'est vous

tirei as fotos da parede
deixei o celular no meio do caminho
das lembranças, apenas eu
sem ruídos

reconheço-me

e o impiedoso ciclo vicioso do que querem que sejamos pode te sugar a qualquer momento
é preciso estar atento

demolição
planação do terreno
construção

não que tenha sido ruim
mas hoje percebo que não foi tão bom assim

a curva da próxima esquina se revela surpreendente
e linda

tão perto.

07 outubro 2009

te acalma, pupila.

O olho abrindo e fechando frenética e compulsivamente anuncia a ansiedade pelo novo dia. Novo dia novo.
O sono não vem e a pálpebra cansada expõem o desgaste de toda uma vida.
Tão única e só-mente. Vida.
O tempo se rasteja. Os olhos abrem de novo... Nada.
Resolve dar uma volta.
Calça os chinelos e sai pela vizinhança arrastando suas pernas. longas pernas.
Quadriláteros, quarteirões, quadrados, esquinas, espaços.
As pernas lhe pesam como âncoras presas ao fundo do mar.
Procura um lugar para descansar.
Encontra uma árvore e faz dela seu abrigo. A imensa sombra projetada no chão faz um desenho bonito, que lhe acalma os nervos.
Olhando para a sombra da árvore assim, deitada no chão, ela se deita também.
E adormece, finalmente.

18 setembro 2009

carta à deriva

Levando em consideração alguns pedidos e a falta de tempo (ou criatividade) que me consome, publico hoje um antigo texto. O jogo é o seguinte: Você adivinha quem sou, onde estou e a quem envio essas palavras. Voilá!
_____

Escrevo porque você não me deixou outra alternativa. Não nos vemos há tempos e ainda assim, todo dia, acordo e me ponho a esperar ansiosa por uma visita sua. Uma carta, uma notícia, qualquer coisa. Espero, espero... o dia todo. A Betina Botijão diz que eu deveria te esquecer, que você já tem outra, que eu fui o seu passado, apenas. Ela está certa? É que você está tão aqui, no meu presente, que fica difícil entender isso. Mas eu tentaria, se você me pedisse.
Outro dia acordei e estava lambendo a minha cela. A cela pela qual tantas vezes você entrou, anunciando a brisa gostosa que viria acariciar meu rosto, e por onde um dia saiu, pra nunca mais voltar. O gosto era doce.
É que talvez eu goste de migalhas, das tuas migalhas. Talvez eu rasteje demais tentando encontrá-las, que é pra sentir o que sobrou de você por aqui, perto de mim. Ou o que sobrou de nós. O que sobrou de nós? A tatuagem que fizemos juntas está desbotando, estou com medo dela sumir.
Sabe, o problema é a ausência de notícias suas, a ausência das palavras, aquelas palavras que tanto me acalmavam.
Aqui está cada dia mais frio, mais feio. O banho de sol cada dia mais cinzento, e a comida cada dia mais sem gosto.
Espero que você esteja bem, que tenha sido bom pra você sair daqui. Espero que você tenha enfim, encontrado a paz que tanto buscava. e que eu não tenha sido um empecilho para você encontrá-la.
A carcereira que entrou no seu lugar não é das mais amáveis. Não pra mim, pelo menos.
Pra mim, será sempre você. Apenas você.

14 agosto 2009

Vermelho

Foi um desses momentos em que pincéis invisíveis colorem toda paisagem ao redor.

E era só ele vindo em minha direção. Atravessava a ponte lenta e calmamente e sorria, apenas me olhava e sorria. Sorria com a boca e com os olhos, e a visão de um simples momento ia tomando forma de coisa macia, tranqüila e doce... assim, de nuvem ou algodão doce. E ele apenas sorria, mas de um jeito que só ele sabia.
Eu paralizada na ponte ensaiei uns passos pra trás, querendo que o momento demorasse mais. E o azul e o vermelho iam tomando conta da situação, entrando em cada espaço e frestas dos olhos e do coração.
Neste instante eu gostei muito da vida. Ali embaixo a cidade estava cinzenta e meio sem vida, mas aqui em cima as cores deixaram meu dia assim; macio, alegre e intenso. Vida-vermelho-forte pulsando aqui dentro.

07 agosto 2009

às favas com seus ideais.

Eu quero mais dança
Quero mais cor
Quero mais sorrisos sem motivos
Mais amigos sem compromissos

Quero relações sem futilidades
e ruborizar com uma sacanagem
Quero ser sambista!
Cansei do clã “deprimidos intelectuais existencialistas”

26 julho 2009

outros

Onde termina o outro e começa você? Limite sem barreiras, sem catraca ou fronteiras. Devemos contar até onde eles podem ir? É que se você não limita a linha, é ela que te limita. Porque fácil é escolherem o certo pra sua vida, a decisão mais sábia, a maneira mais correta de agir, o melhor caminho a seguir. E se você os escuta demais, sua vida vira deles, vira vida-limite, vida-restrita. Eu não aceito essa interferência do que (e de quem) não me interessa. Não aceito este caminho, que felicidade, eu sei, vem apenas em pacotes individuas. E se não concordar, sinta-se à vontade em usar a vida do vizinho como pretexto para justificar a sua vida perfeita, cheia de decisões sábias e escolhas sempre muito bem feitas.

24 julho 2009

Pé móvel.

Difícil é sair de situações comodas e ir atrás dos nossos desejos reais. Aliás, já é tarefa árdua conseguir reencontrar os nossos desejos que às vezes se escondem por debaixo de contas a pagar, de cartas a entregar, quiçá assumir e lutar por eles. É, é muito difícil, mas tem de ser feito! Do contrário, a gente se transforma naquelas pessoas frustradas que inevitavelmente tornam-se amargas, e amargo é sabor que eu não gosto.

Não sei se é o cômodo que me assusta ou se os móveis sempre no mesmo lugar é que me dão angústia. Lembro de mim, criança, reinventando meu quarto, já reformando meu cô(o)modo-espaço. Mesas ganhavam vida e movimento com as cartas do baralho, paredes transformavam-se em diário. E dali a 3 meses mudava todo o cenário. Já moça feita aprendi que coisa boa é poder ser solta no mundo, na vida... móvel bom, é móvel solto! Grande invenção aquelas rodinhas, não?

E se você arrastar a cama pra cá, a mesa pra lá e o cômodo ainda te incomodar, tenha medo não, mude você de lugar. Importante é se movimentar na vida, sem ter medo de errar. Só não vale se acomodar e deixar o comodo te esmagar.

19 julho 2009

Personal Parangolé

Somos capazes de renunciar a um prazer por uma causa maior? O quanto somos capazes de fazê-lo? Quando? Por quê?

De um prazer eu renuncio quando fere meus sentimentos e sentidos, quando altera negativamente o sentido do meu caminho, quando boicota a minha conquista da consciência sobre a ação.
Então é chegada a hora da redenção, de aceitar a interferência e fazer o ruído ser muito bem vindo. É chegada a hora do meu Parangolé, que várias mãos juntas deixam a obra mais coesa. (E não perfeita, que isso é papo de outra gente)

Voilá!
Mãos à obra...

27 junho 2009

Poesia?

Bem sei que nenhuma arte se cala. E vivendo no rastro de um tempo do silêncio e da falta de entendimento, qualquer palavra vira estampido. À mim, as palavras tornam-se abrigo. Tornam-se realmente férteis no todo, no tudo. É uma parte. Alguns dizem que também é arte. Não sei. Vem aqui de dentro, e de tudo. Vem da alma, vem do meu mundo.
É minha misturinha de encanto e desalento, o abrir da densa cortina e o despertar do que está aqui dentro. Enxergar o que é oculto aos olhos, tentativa de externar o que não me sai pelos poros.

Poesia-torta, Poesia-errada, Poesia-sem-expectativa, Poesia-arte? Poesia-sem-lei! Apenas algumas palavras que me fazem bem. E que às vezes se esgotam por um tempo também.
Gota a gota
Copo a copo
Boca a boca

E é aí que mora a sua beleza.
Poesia é encontro marcado, sim.
mas também surpresa.

05 junho 2009

Tenho estudado

A mim.

interessa o mergulho
Talvez a queda no abismo
Talvez a dor
Talvez a satisfação

Tenho estudado

E refletido até que ponto vale a discussão.
O enfrentamento.
O meu ponto ser levado em consideração.
Vale?
Até que ponto?

Até que ponto o equilíbrio se sustenta?
Até que ponto o susto estremece?
Até que ponto devo seguir defendendo o meu ponto?

Tenho estudado

E refletido que talvez o único ponto que valha
seja o ponto de partida
E poder seguir assim, sem despedida.

28 maio 2009

Clarisse. mais uma.

As pupilas dilatadas, o rosto encharcado de suor, os olhos zigzaguiando freneticamente, acompanhando os movimentos suaves e encantadores de Clarisse. O rapaz não piscava, não queria perder um único gesto da moça que o envolvia por completo. Do canto do salão da gafieira, vidrado, ele assistia Clarisse movimentando o corpo ao rítmo da música, como que numa dança dos anjos. Sim, porque ela só poderia ser um anjo.

Ela, por arrogância (ou charme) fez que não, mas percebeu seu olhar. Ela sempre percebia, e gostava. Pior, ela provocava, Clarisse sabia que era gostosa e abusava disso.
E nada mais importava naquele lugar, ela dançava pra ele, ela sorria pra ele, ela queria ele. E esse era seu mau, esse ímpeto de fêmea insaciável, essa vontade incontrolável. Quando dava conta de si, seu corpo já não era mais seu, sua boca já não era mais sua, o suor que exalava de seu corpo já pertencia a outro corpo. Quando ela via... bem, sim, ela via, mas seu olhar já não estava mais ali. 
Clarisse ia longe em noites assim, sentia-se em êxtase nesses momentos e achava pena deles terminarem assim, tão sem encantamento, numa manhã seguinte qualquer, com toda a inevitável claridade envolvida e a transparência que não lhe cabia. 
Clarisse queria mesmo era não sair da gafieira, onde o sol jamais queimaria seus já cansados neurônios.

08 maio 2009

lago escuro. longo lado

Logo ali
entre o que sou e o que pretendia ser
entre o ir e o já voltei
entre o pensar e o "não falei"

no escuro que ilumina
no silêncio que grita
no vão
na brecha
no vácuo
no chão
em canto qualquer
em canto nenhum

no silêncio da noite, das questões insones
perdida em pensamentos no vácuo dos sentimentos
perdida entre travesseiros e...
me surpreendo com um beijo

Sim, eu me contento.
Um beijo molhado, um afago apertado e esqueço dos percalços.
pelo menos essa noite.
outra noite.

26 abril 2009

mensagem pra você

Talvez porque não deveríamos nos anteceder ao tempo certo.
Talvez porque o tempo não foi certo conosco.
Tempo injusto, tão curto.
Justo neste momento?


Você se foi e levou um tanto de mim.
Um tanto que é tanto, que nem um tanto assim de palavras pode dizer o quanto.
Você foi se achando tão pouco esperto, e nem pude te dizer que eu estava aqui sim, tão perto.
Agora eu sei... por isso, vem.
Não faz assim.


15 abril 2009

Simples assim.

E se você inventa que pra ser feliz, precisa mudar? Inventa que precisa se reinventar, reformar.
Então você corta o cabelo, redecora a casa, faz aquela faxina nos armários, nas gavetas, nas amizades... faz finalmente matrícula na aula de taichichuan que tanto queria aprender, volta pra dieta, aumenta as sessões de análise e nóia que precisa entender seu passado pra poder decidir se quer continuar assim, ou se prefere se destacar da vida que levara até aqui e seguir em outra direção?
E se você inventa que precisa se reinventar tanto, que nenhuma das invenções te satistaz? E se isso se torna um vício? E se nenhuma das invenções se completar, porque já é hora de começar de novo, e de novo?

Bem, aí é hora de respirar fundo com calma, olhar pra dentro com respeito e deixar a vida fluir. Apenas.

31 março 2009

Pra quê tudo isso, Alfredinho?

O que você quer com esse carro que mais parece um foguete?
E com esse celular, que mais parece a central da NASA, Alfredinho?
Essa calça lhe custou mais do que sua moto? Verdade? Ela é à prova da gravidade?

Você está juntando artigos pra dar um rolê no espaço sideral, Alfredinho?
Quer ver as coisas ainda mais por cima? Chegar ao topo? Ou apenas desfrutar do vôo e se sentir livre no vácuo especial, ops... digo, espacial?

Mas você não pode ser livre daqui, Alfredinho?
Ah, entendi. Aqui é muito baixo, né?

24 março 2009

Instante sagrado

Existe essa coisa que eu não sei o nome. E ela vem me devorando, tal qual o tempo faz com os relógios... tornam-se inúteis. Você me entende?

E o pós-tudo-isso vira samba.
É que quando o moreno me convida pra dançar e caímos numa batucada, meio cancan, gostosa, tudo se revela em graça e harmonia no meio da noite até o subir do dia.
E algo se renova em delícia, amor e paixão quando no ato, de fato, torna-se possível só ouvir, e a comunicação passa a existir. Instante sagrado: O silêncio.
e ele logo é devorado pelas palavras que, por conseguinte, também tornam-se inúteis... Você me entende?

19 março 2009

No creo en brujas, pero que las hay, las hay.

Hoje completo 23 anos. e não sei ao certo o que isso significa.

Essa manhã ao telefone, um amigo-astrólogo contou que significa muito: O dia do aniversário serve aos astros como uma espécie de dia "D", quando o ciclo energético termina e se reinicia, momento de canalizar energias para projetos pretendidos, que já têm sua maestria ou morte definidas no próprio dia "D".

Me ocorreu que sou muito desleixada mesmo, tomando café, comendo torradas com geléia de morango, enquanto meu Projeto De Vida para esse ano podia estar sendo assassinado pelos astros.

- E preciso definir agora o que vou querer para esse ano inteirinho? Assim, de supetão? Nem me preparei, não pensei em nada, sequer tenho um projeto.

Mas logo me tranquilizei, pensei que o pior que poderia acontecer seria a não-vida do tal projeto. E honestamente, não vejo nada de errado nisso. Pensando bem, eu mesma já matei vários projetos que antes julgava serem incríveis, e me deliciei ao fazer... PAFT! Um tiro bem na fuça deles, sem piedade.
A gente se movimenta, nossos projetos também.

-Gi, pense sobre suas metas, defina 10, depois 3, depois 1. E dessa faça seu Projeto, sempre seguindo o planejamento correto do ciclo completo de um ano, e (...)

-Hããã?

Que trabalho que é fazer aniversário... e eu que pretendia só comer um pedaço do bolo de chocolate da minha avó.

26 fevereiro 2009

Destino. tsc

Não, eu não acredito em destino. Também não confio muito nos que se apegam a ele, culpando o abstrato pelo que deu errado ou fazendo dele seu porto seguro.
Trampolim de inseguranças, justificativa fácil pelo que entortou no meio do caminho.
Comodismo frente a necessidade de responsabilizar-se por seus erros e acertos, frente a necessidade de compreender, repensar e aprender, frente a necessidade de um olhar mais atento, mais pra dentro.
Não, eu não acredito em destino. Acredito nas pessoas, e no poder diário de renovação, ponderação e aprendizado.

31 janeiro 2009

Sublime ação

Olhares
Corpos colados
Entrelaçamento
Luzes
Sublimação
Sublime ação

Quando o desejo nos transforma em qualquer coisa além do que indivíduos
Quando percepções/estímulos se tranformam em algo a mais do que funções cerebrais
Quando a união transforma o abstrato em princípio que dá movimento ao que é vivo
Quando o abstrato se torna vivo, mesmo que por um momento. ou vários.
Quando a vida-vertigem dá espaço à busca pelo elixir da longa vida.
E muda tudo, mudam todos.
E muda você, muda ele. e fica lindo.

25 janeiro 2009

Mãos de aluguel

Chegou em casa, colocou a enorme bolsa vazia em cima da cama e a observou por um momento.
Eram vários os compartimentos, bolsos e botões de todos os tamanhos, zíperes e mais zíperes, espaços em todos os formatos. Tantos, que ela nem sabia se conhecia todos. Pior, não sabia se teria coisas suficiênte para preencher todas as dobras externas que anunciavam ao mundo o escuro vazio que ali morava. E isso começou a incomodá-la. Pensou que poderia encher um saco plástico e enfiar ali dentro, como havia visto na loja, mas não lhe seria muito prático sair por aí com um saco plástico cheio de ar a tiracolo.


- Ah, quer saber? Agora posso levar tudo o que me importa pra todo canto que eu for...

(...)


Mas o quê heim?
Alguém tem um saco plástico aí?

18 janeiro 2009

e nada mais.

Limparam os resquícios de tristeza de vida insatisfeita que lhes escorria por entre os lábios
e sorriram
Sorriram hipócrita e porcamente enquanto julgavam
Suas ações-erradas
Ações incertas descobertas
Descoberta

Abriu os olhos e teve pena
Deles
De si
A vida lhes permitia o julgamento (?)

hipocrisia
apenas.
arrogância
apenas.
ignorância
apenas.
e nada mais.

12 janeiro 2009

Movida Madrileña

e o leite mal na cara dos caretas!

08 janeiro 2009

efervescente


Quero estar ali, no olho do vulcão
Sentir a quentura das faíscas corroendo a pele já fervente
Brasa queimando aqui dentro, tão ardente
Atenta aos mínimos detalhes, aos mais discretos olhares
Quero ver e poder enxergar, procurar e poder encontrar
Conhecer e poder compreender, mesmo sem concordar