Ela cruzou a rua e veio em minha direção: "Não é esmola, realmente estou sem dinheiro" foi o que disse, após pedir a quantia para o ônibus. Parada na calçada, eu fitava seu olhar tentando desvendar se era mesmo verdade ou se eu fora escolhida a sua vítima de extorsão daquela noite.
Senti-me, então, culpada pela enésima vez. Por ter os R$ 2,30 e ela não. Por desconfiar da moça. Por morar na Zona Sul. Culpada! Culpada!
E assim como tenho exercitado diariamente com as pessoas, escolhi acreditar nela também.
